All Star 2 vale a pena?

29/08/2016

All Stars 2 começou com o pé direito. O elenco de ponta dá vida a uma das mais interessantes temporadas do aclamado RuPaul’s Drag Race: Coco Montrese, Alyssa Edwards, Roxxxy Andrews, Phi Phi O'Hara, Ginger Minj, Tatianna, Alaska, Detox, Katya e Adore. A mistura funciona muito melhor do que a primeira edição do spin-off, ponto para a direção de núcleo que conseguiu reunir os talentos certos na medida correta.

Porém, seguindo a tradição do All Star, a dona RuPaula precisa inventar regras novas para dar um twist na season. Na primeira edição as queens precisavam competir em dupla. A injustiça da vez é que as drags deverão eliminar umas às outras. Fazendo uso da frase da Ginger Minj: “para qual programa eu me inscrevi mesmo? ”. Funciona assim: a Mama Ru seleciona o top 2, as duas melhores participantes da semana e, em seguida, o bottom 3, isto é, as três piores queens do episódio. O Top 2 irá disputar em um Linpsynch for your legacy e, quem vencer, deverá selecionar uma das queens do bottom 3 para sashay away.

Se você, assim como eu, conseguir superar mais essa regra desmotivadora (assim como foi o método de duplas da edição passada), então você se deparará com a melhor edição, desafios, cast de todas as temporadas anteriores. “Mas nossa, é tão bom assim?” Claro! Vamos às principais mudanças positivas:

1. Mais tempo no workroom: por ter menos participantes (dez no total), o programa consegue focar mais na relação entre as queens, principalmente porque o público já está habituado com elas e a edição não precisa formar personagens. O resultado é um tempo em tela melhor aproveitado em relação ao trabalho das participantes no workroom, ouvimos e vemos mais as drags falando de suas vidas pessoais, profissionais, jogando shade umas nas outras, essas coisas que a gente adora.

2. Untucked é aqui: com a mudança no sistema de eliminação, agora a edição não precisa filmar a deliberação dos jurados e da Mama Ru. Ao invés disso, eles mostram a reunião das queens no backstage, no cenário que pertence ao Untucked. Lá temos o vislumbre das competidoras durante os tensos minutos em que são dispensadas do palco, e que agora precisam, além de ensaiar a música para o lipsynch, deliberar sobre quem será a eliminada.

3. Todrick Hall: cantor, ator, dançarino, diretor, coreógrafo e produtor de vídeos incríveis no Youtube, o artista tem todas as qualificações possíveis para se tornar um dos melhores jurados da bancada de RuPaul – com exceção da quase sempre coesa Michelle Visage. Além de muito divertido, Todrick sabe ser simpático ao fazer seus comentários, ao mesmo tempo em que ele é direto e conciso. Uma adição muito bem-vinda.

4. Dublando por dinheiro: já que as queens não vão mais dublar para salvar sua pele da eliminação, a RuPaul precisava dar outro incentivo para performances inesquecíveis de suas meninas. Portanto, ela resolveu adicionar 10 mil na conta de quem vencer a rodada do dia. Isso deu um up para as participantes, sem contar que se trata de um reconhecimento justo. A artista vai, performa e ainda pode levar dinheiro para casa, mesmo se não vença a competição no geral.

5. Edição do programa: parece que até mesmo a já ótima edição conseguiu melhorar. Desde ângulos e takes, até mesmo à entrada triunfal de RuPaul ao palco principal do programa. Quem não se divertiu horrores com os cortes rápidos entre a deliberação das meninas no backstage e a bancada de jurados tomando seu delicioso cocktail? São pequenos detalhes que fizeram toda a diferença, que acabou tornando esse episódio um dos mais divertidos e tensos de toda a série.

Porém, algumas coisas ainda precisam ser aprimoradas. Ou simplesmente retiradas, como os terríveis Coming Ups, que trazem enormes spoilers do bloco que vem a seguir. Poderiam aproveitar esse tempo para mostrar mais do trabalho das queens.

Backrolls?

All Star 2 é um dos melhores trabalhos da RuPaul e sua equipe até agora. Tomara que o formato faça muito sucesso e que haja uma edição com todas as vencedoras das outras seasons. Can I Get an Amen?  

Andy Rocka

Jornalista, estudou Psicologia,
foi social media do Pontofrio,
trabalhou em revistas de ciência,
como a Superinteressante e
Psique, mas sua paixão mesmo
é música e cultura pop.