Coringa, a Lei do Caos e os atentados da França

01/12/2015

Já notou como o assunto “bombardeios na França” já esfriou? Mas você se lembra como fosse ontem a mobilização social que ocorreu nas redes virtuais de comunicação. Pessoas alterando suas imagens em solidariedade aos franceses, mandando mensagens de apoio e bradando sobre liberdade e terrorismo. Pouca gente sabe exatamente o que está ocorrendo do outro lado do oceano, mas se tem um personagem que sabe compreender esse fenômeno, esse alguém é o Coringa.

O tal Estado Islâmico, o grupo terrorista que age na Síria, já faz estrago no País há algum tempo, desde 2011. Mesmo assim, não vimos nas redes sociais nenhuma movimentação em prol dos orientais atingidos pelas ações terroristas. E é isso que a Lei do Caos do Coringa nos diz. Podemos conhece-la no filme Batman: The Dark Knight, em que o ator Heath Ledger foi consagrado com um Oscar póstumo pela sua interpretação do palhaço do crime.

Aplaudindo a sociedade do espetáculo

O Coringa de Ledger nos disse: “Sabe o que eu notei? Ninguém se apavora quando tudo corre de acordo com o plano. Mesmo que o plano seja horripilante. Se amanhã eu disser à imprensa que um arruaceiro vai levar tiro, ou um caminhão com soldados vai explodir, ninguém entra em pânico, porque tudo faz parte do plano. Mas quando eu digo que um prefeitinho qualquer vai morrer, aí todo mundo perde a cabeça”.

Nesta Lei do Caos sugerida por Coringa, as pessoas não se importam com o número de sírios mortos todos os dias por conta dos ataques do Estado Islâmico. Mas se por uma vez ocorre um atentado em alguma capital europeia, o mundo inteiro se mobiliza. Está dentro do “plano” o Oriente Médio ser bombardeado e milhões de crianças morrerem, vemos isso nos noticiários vez ou outra e não nos espanta mais. Mas quando uma cidade turística, um dos principais centros financeiros do mundo é o alvo do terror, o “plano” se desfaz e as pessoas reagem ao caos.

O nêmeses do Batman é um agente do caos. Ele quebra os “planos” sociais para infligir medo. Ele se diverte deliberadamente quando as pessoas experimentam o terror. E ele faz isso por diversão, para ver o circo pegar fogo. Acontece que essas provocações nitzscheanas sobre moral nos faz refletir sobre nosso papel neste “plano”. Precisamos urgentemente rever nosso posicionamento frente ao caos e à comoção seletiva. O que há por trás de todas as mensagens de amor senão um agente do caos? Os atentados à França são apenas a ponta do Iceberg de algo muito maior que nossa foto colorida no perfil pode inspirar. Why so Serious?

Andy Rocka

Jornalista, estudou Psicologia,
foi social media do Pontofrio,
trabalhou em revistas de ciência,
como a Superinteressante e
Psique, mas sua paixão mesmo
é música e cultura pop.