EP1 – FKA Twigs

13/10/2016
  • Ano: 2012

Tahliah Debrett Barnett, ou simplesmente FKA Twigs, é uma artista visionária. Além de cantora, Twigs é compositora, diretora, produtora e, sobretudo, dançarina. Seu primeiro trabalho é o curto EP1, um compilado de quatro singles cheios de identidade. Aclamado pela crítica, o compacto abriu muitas portas para a cantora no mundo inteiro. Por isso iremos desvendá-lo e mergulhar em seus significados. Acompanhe-nos a seguir.

1. Weak Spot

Sussurrada e cheia de mistério, a interpretação de Tahliah para a faixa inaugural de sua carreira é um grande acerto. “Ouvi dizer que ele tem um ponto fraco por você. Ele virá correndo”, diz a cantora cheia de malícia em sua voz. A sonoridade é evidentemente experimental, com efeitos simples na voz da cantora em parte da música, dando a sensação de robótico, somado a uma batida eletrônica leve e incessante que vai crescendo ao longo da canção.

No clipe, vemos uma animação em terceira dimensão de um corpo humano, o de Tahliah. É possível ver através dela, para dar a impressão de ver por dentro, como ela canta “he's gonna come running right back, I saw his inside through his eyes”. Na canção, Tahliah é essa mulher que canta para outra, dizendo que seu amado tem um ponto fraco por ela. Mas ao final da música, ela diz “ele é meu”.

2. Ache

Com uma pegada trip-hop, a canção traz sons com motivos de sonho, uma espécie de transe sintético. A voz de Tahliah está levemente ecoada, enquanto ela declama que deseja tanto a pessoa que chega a doer. Ela se entrega a um sentimento que a eleva, e a melodia consegue transmitir essa sensação de “ficar high”. Na música anterior ela sente que seu amado tem um ponto fraco por outra, e aqui ela implora para que ele fique, que sem ele ela se sente sozinha. “Meu corpo dói por você” declara a cantora.

O clipe é bem simples e mostra um dançarino com uma máscara estilo focinheira, enquanto ele se desdobra em uma coreografia que transmite dor, com movimentos de quem tenta se libertar de algo. A focinheira é um ótimo inibidor, e representa bem o sentimento de repressão que Tahliah sente, ao cantar “eu caio em sua respiração enquanto durmo, mas ao acordar irei te dar todos os sentimentos que venho sentindo”.

3. Breath

A faixa traz um sentido híbrido e irônico para o disco. Nela, Tahliah vive uma relação ambígua com seu parceiro, descobrindo quem ele é verdadeiramente, mas não conseguindo se desprender do sentimento de amor. “Eu descubro quem você é, eu te perco na escuridão. Embora não esteja muito distante, você está longe de ser admirado”, confessa a apaixonada cantora. E mesmo assim, ela nos diz no refrão que respira melhor quando está em seus braços.

No clipe, vemos a cantora depredando um carro com martelo. Sua expressão indiferente dialoga com a canção, em que ela vive esta antítese entre amor e ódio.

4. Hide

Em Hide, Tahliah toma as rédeas dos seus sentimentos novamente. A faixa é a que traz a voz da cantora mais amargurada, com um tom triste ao mesmo tempo que sério. O que deixa a faixa mais frenética é sua batida forte e experimental, com um som que parece batidas em latas, incessante por toda a canção. Ela diz que ódio é a única coisa que ela pode dar a ele agora. “Eu afundo no meio da multidão, se isso significar que escaparei do seu olhar”, canta FKA.

No clipe original, lançado primeiro que as três faixas anteriores, vemos o tronco do corpo de Tahliah, trajando apenas um sutiã rendado transparente e uma flor do antúrio. A escolha para a planta é muito sábia, pois ela possui uma espiga em seu centro que tem formato fálico. Aqui, colocada como parte da lingerie, Twigs usa referências psicanalíticas de poder: o falo. Agora, ela possui o poder para decidir sobre sua vida. Se nas faixas anteriores ela manteve uma relação de submissão, aqui é ela quem detém o poder. “Eu encontrei uma outra maneira para acariciar o meu dia” canta nas frases finais, enquanto acaricia sua planta fálica no vídeo.

Cantando sobre paixão, relacionamento e superação, FKA Twigs consegue expor entrelinhas significados complexos e filosóficos em suas canções. Os sons experimentais casam perfeitamente com sua interpretação intensa, vívida e sussurrante, que exala sensualidade em cada verso. Uma expoente da música alternativa que faz artes incríveis com pouco investimento e muita dedicação.

EP1 é uma viagem amadora em uma alma geniosa.  

Andy Rocka

Jornalista, estudou Psicologia,
foi social media do Pontofrio,
trabalhou em revistas de ciência,
como a Superinteressante e
Psique, mas sua paixão mesmo
é música e cultura pop.