Final Fantasy Kingsglaive

28/09/2016
  • Nome original: Final Fantasy Kingsglaive
  • Autor: Takeshi Nozue
  • Ano: 2016
  • Sinopse: O reino mágico de Lucis é o local do último Cristal remanescente no mundo, e o império ameaçador de Niflheim está determinado a roubá-lo. Rei Regis de Lucis [Bean] então recruta uma força de soldados de elite chamada de Kingsglaive que, carregando a magia de seu rei, lutam para proteger Lucis.

Final Fantasy Kingsglaive é uma animação baseada no mundo e história do game Final Fantasy XV. O enredo se passa paralelamente aos eventos do jogo, focando nos acontecimentos ao redor do rei Regis Lucis Caelum CXIII.

Kingsglaive nada mais é do que a guarda de elite do Rei, que compartilha os poderes mágicos de Regis e que protege o Reino de Lucis e seu cristal mágico dos avanços do Império de Niflheim. O rei acaba aceitando um tratado de paz com seu inimigo depois de várias derrotas no conflito, com um dos termos sendo o casamento de seu filho príncipe Noctis com a princesa Lunafreya Nox Fleuret de Tenebrae e a condição de ceder todos os seus territórios ao redor da cidade real de Insomnia.

O tratado é na verdade uma armadilha, como um Cavalo de Tróia, para que pudesse permitir a invasão de Niflheim à cidade, que até então era protegida por um cristal lendário. O conflito se passa em um mundo chamado de Eos. Eos é dividido em várias nações que antigamente costumavam possuir cristais mágicos, porém apenas o Reino de Lucis foi capaz de manter o seu, com a dinastia Caelum usando-o para se defender de seus invasores, por meio de uma barreira mágica que encobre toda a cidade. 

O cristal é tradicionalmente tratado como um presente dos deuses e mantido em uma câmara especial dentro do palácio real, mantendo um poder mágico acessado apenas através do Anel de Lucius, que foi passado adiante na linhagem de reis de Lucis. A tropa de Niflheim deseja se apoderar deste Anel, para ter controle sobre o cristal.

Em termos de engenharia gráfica, a animação se sobressai ao mostrar pessoas extremamente realistas, dando um (ou vários) passos à frente de sua última produção cinematográfica, a The Spirit Within. Há momentos em que realmente esquecemos que se trata de uma animação e não um filme com atores reais. A trama, porém, é deveras confusa, pois temos a sensação de termos pego o bonde andando. Mesmo com o esforço dos personagens em tentar nos contextualizar, fica a difícil tarefa de tentar entender toda a trama antes da segunda metade do filme.

Se a experiência com o roteiro é confusa, as cenas de ação são mais ainda. Mas, pelo menos, temos batalhas memoráveis ao melhor estilo Final Fantasy dos games, com magias de fogo, eletricidade e muitas armas brancas passeando em cena. A ação desenfreada ganha força na reta final, quando criaturas gigantes entram em duelo.

No final das contas, Final Fantasy Kingsglaive tinha tudo para ser um grande jogo, e se assim o fosse, talvez tivéssemos mais tempo para compreender a história. Ele nos deixa com água na boca para jogar Final Fantasy XV, e se era essa sua intenção, ele triunfa grandiosamente. Porém, como peça isolada de arte, se perde em meio a tantos conflitos e buracos no roteiro.

Com batalhas de deixar qualquer jogador de queixo caído, Final Fantasy Kingsglaive é um deleite para um nicho específico de pessoas. Se você pretende jogar o game, é uma peça indispensável.

Andy Rocka

Jornalista, estudou Psicologia,
foi social media do Pontofrio,
trabalhou em revistas de ciência,
como a Superinteressante e
Psique, mas sua paixão mesmo
é música e cultura pop.